quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Musicando Pequenas Verdades

Falo de brincadeira
Pra ninguém me descobrir...
Me escondo, me nego,
Me faço de cego
Só pra te ver sorrir...
Te encaro, escancaro a vontade de um beijo escondido debaixo do meu edredon
Me encontro perdido e reclamo comigo
De não conseguir por um fim
As vezes eu penso que é só culpa minha
Você não me deixar ficar
Daí eu me lembro que a culpa é do tempo
Tardando a nos aproximar
Encolho, recolho o desejo
Faz parte, o destino é caprichoso assim
Te põe em meus sonhos
Me eleva e arquiteta
Tudo que eu ache bom
Acaba que a graça é sonhar, viajar no universo desse meu querer
Dormir e acordar sem te olhar nem parece mais que vai doer...



Psicodelia

Era uma vez...
E eu saí, noite adentro...
No copo Anestesia e Felicidade líquidas...
Na outra mão o violão - só porque cantar ajuda a entorpecer.
Às Janelas, quase que completamente cerradas pelo torpor,
a psicodelia das luzes coloridas
e os vários vagalumes vermelhos em meio a cortina de fumaça
constroem um cenário de um Conto-de-fadas - às avessas, bem dizendo...
Cada canção pedida, mais bem cantada ficava
Perto do alvorecer sobravam sentimentos, sonhos e uma canção.
Era uma vez...




Ou não era?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Se a felicidade são realmente apenas alguns momentos
E a vontade que ela seja plena beira a utopia
Como dizer não a um pedido?!

Sincero ou dissimulado
Um sussurro de um pedido debochado
Indagando quase imperativo
Se eu posso ficar

Não que seja ordem, imposição
Sei que sempre posso dizer não
Isso se o coração me deixasse negar

Deixa o sonho aproximar
A ideia de que isso existe
E, se em sonhar é permitido quase tudo,
Eu derrubo com um sopro qualquer muro

Sopro um verso de um poeta qualquer
E essa noite seja nosso o que vier
Que amanhã é outro dia
E eu volto a ser senso comum

E por mais que seja sempre um dilema
Sempre acaba em novos versos, num poema
Eu grito NUNCA MAIS
Até você voltar...

terça-feira, 12 de junho de 2012

À DERIVA

Alguns dias são melhores que outros...
Digo, nessa empreitada que é o desafio de "desacostumar" com a presença de alguém...
Hoje, posso afirmar, não é um desses melhores...
Um dia após completarem exatas 4 semanas, o fim teima em soar como mentira... mesmo diante de uma veemente realidade contrária ...
Me encontro, ainda, pescando, apaixonada e à deriva, uma vez que, encantada por esse verde de mar profundo, ancorei, sem porto seguro, sem remos nem velas, por não considerar precisar...
A perspectiva de amargar o balanço quase inerte das ondas - que eu desejava me cuspirem fora, como quando me engoliram, vorazes - é desesperadora...
Meu peito, correnteza abaixo, nesse rio de sentimentos tão confusos e perturbadores... que antes desaguavam nesse teu mar revolto, (de paixão,) já não encontra o encontro e agora transborda o desperdício em represar mais do que a capacidade...
As perguntas são muitas e, ainda, insistentes...
Mas talvez, como dissestes, hajam perguntas para as quais jamais encontraremos respostas...
Especialmente quando iniciam-se de "por quês" inseguros e infundados como os meus...
Me encontro, AINDA, nem mais nem menos que antes, pescando, desavisada, apaixonada e à deriva...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Direito de resposta

"Hum..."
Com a mão no queixo, inundada por pensamentos diversos, esse é o único som que parece exprimir meu descontentamento...
As interpretações acerca do meu comportamento insistente em me DIMINUIR tem me incomodado.
-A grafia em letras de 'out-door' é tão somente para enfatizar a palavra. E, de alguma maneira, por em pauta o motivo do incômodo... minha AUTO-ESTIMA!!!-
Não posso dizer que alguma vez me tenha sido atribuída tal característica. Ao contrário, meu SUPER-EGO sempre foi uma das características mais marcantes em mim...
E por isso meu incômodo e estranheza...
Fato é que, de alguns dias pra cá, talvez meses, deixei um pouco de lado a alimentação puxada do meu EGO gigantinho, não para diminuí-lo diante de outro, mas pra tentar fazer caberem dois EGOS num relacionamento só... E devo admitir que isso pode aparentar um comportamento submisso...

"Uhumm"
...Ainda com a mão no queixo, o som agora é de afirmação...
Dentre todas as considerações, e após ponderar por uma noite inteira...
Minha AUTO-ESTIMA permanece intacta... e meu SUPER-EGO, meio fraco e desnutrido apesar de ainda grande, ruge alto de faminto...





segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por Vinícius de Moraes.

E Vinícius de Moraes que se encarregue de dizer-te, tudo o que eu jamais saberia...
Da minha dedicação em manter-te em mim, comigo...
E, por quê não, do zelo, do cuidado - ou ciúme!?!?! Fica a critério do leitor nomear...
A mim, me cabe apenas contextualizar o sentimento, o amor, a saudade e o desejo - por mais descarado que isso possa soar... Pois sem ele, arrisco dizer, possivelmente não teríamos nos permitido tal "aventura"...
Por aventura, quero esclarecer, trato da já mencionada sensação de uma fanfarra inteira ensaiando para acertar as batidas dos nossos corações arrítmicos só pelo encontrar dos olhares...


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
(Soneto de Fidelidade)

"O sol, desrespeitoso do equinócio
Cobre o corpo da Amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pêlos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.
E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelos
De modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.
E pego, encaro o Sol com ar de briga
Ao mesmo tempo que, num desafogo
Proibo-a formalmente que prossiga
Com aquele dúbio e perigoso jogo...
E para protegê-la, cubro a Amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo."
(O Fogo - Obra: Os Quatro Elementos)

"Com mão contente a Amada abre a janela
Sequiosa de vento no seu rosto
E o vento, folgazão, entra disposto
A comprazer-se com a vontade dela.
Mas ao tocá-la e constatar que bela
E que macia, e o corpo que bem-posto
O vento, de repente, toma gosto
E por ali põe-se a brincar com ela.
Eu a princípio, não percebo nada...
Mas ao notar depois que a Amada tem
Um ar confuso e uma expressão corada
A cada vez que o velho vento vem
Eu o expulso dali, e levo a Amada:
- Também brinco de vento muito bem!"
(O Ar - Obra: Os Quatro Elementos)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Depoimento sobre uma noite de desespero

Aparentemente, quando certos pensamentos nos rondam, “pessoas” se identificam conosco e se aproximam... para o bem ou para o mal, é o que descobriremos nos próximos passos...

Ontem mesmo tive um fumante como companhia - bom, uma delas -, que me comia o cigarro... sem me deixar sequer sentir o gosto ou o efeito - que eu buscava para aliviar a dor...
Ao invés disso, ele se deleitou acabando com meu cigarro em cinco longos tragos puxados por mim...
Aquela brasa que media já um centímetro e meio, dada a sua ânsia pelo vício que eu alimentava naquele instante...
Não ouvi os outros enquanto fumava... nem mesmo o som do resto do mundo se movimentando... nem mesmo os carros que passavam quase ‘voando’ lá pelas tantas da madrugada...
Antes do jogar o cigarro, senti como se nem o acendera, e com a brasa ainda grande, acendi o segundo... na esperança de talvez apenas um trago me pertencer... mas, NADAS!!!
Por mais que eu tragasse com um desejo quase desesperado, aquele também não era pra mim...
Hesitei em acender o terceiro... e só quando todos os sons voltaram a contemplar meus ouvidos, tive a certeza de que enfim cuidaria do meu pesar, e o asfixiaria na fumaça mais densa que pudesse tragar...
Os sons voltaram, e com eles os gritos e sussurros das pessoas que não habitavam meu quarto...
Cada voz mais rouca que a outra, e cada qual mais segura em sua devoção por me perder...
Rodeavam-me cada pensamento, por mais que desconexo fosse...
Ocuparam todo e cada espaço do meu quarto... não me sobrara nem a cama... que, em função da exaustão física, tomei de volta – somente por não ter meios de fazer o corpo a se mexer...
Já deitada na cama, percebi o frio daquela presença...
Liguei o computador... Assistir um filme aquela hora me manteria atenta à outras coisas...
Cinco minutos de filme... Exatos cinco minutos...
Foi quando senti um calor me invadir pelo peito...
E outras vozes começaram a erguer-se sobre as anteriores...
Mais claras... mais altas... e ainda assim mais tranqüilas...
Cessaram-se as vozes... não o calor...
A cama parecia se mover de maneira a embalar meu sono iminente...
A quietude tomou conta do interior... plena... pacificadora...
Sei dizer que a companhia branca da madrugada velou meu sono...
E me recarregou as forças pra despertar essa manhã...
Obrigada pelo envio da ajuda V.S.A.!!!
Eles foram determinantes para a não escolha do que viria certamente...