quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Depoimento sobre uma noite de desespero

Aparentemente, quando certos pensamentos nos rondam, “pessoas” se identificam conosco e se aproximam... para o bem ou para o mal, é o que descobriremos nos próximos passos...

Ontem mesmo tive um fumante como companhia - bom, uma delas -, que me comia o cigarro... sem me deixar sequer sentir o gosto ou o efeito - que eu buscava para aliviar a dor...
Ao invés disso, ele se deleitou acabando com meu cigarro em cinco longos tragos puxados por mim...
Aquela brasa que media já um centímetro e meio, dada a sua ânsia pelo vício que eu alimentava naquele instante...
Não ouvi os outros enquanto fumava... nem mesmo o som do resto do mundo se movimentando... nem mesmo os carros que passavam quase ‘voando’ lá pelas tantas da madrugada...
Antes do jogar o cigarro, senti como se nem o acendera, e com a brasa ainda grande, acendi o segundo... na esperança de talvez apenas um trago me pertencer... mas, NADAS!!!
Por mais que eu tragasse com um desejo quase desesperado, aquele também não era pra mim...
Hesitei em acender o terceiro... e só quando todos os sons voltaram a contemplar meus ouvidos, tive a certeza de que enfim cuidaria do meu pesar, e o asfixiaria na fumaça mais densa que pudesse tragar...
Os sons voltaram, e com eles os gritos e sussurros das pessoas que não habitavam meu quarto...
Cada voz mais rouca que a outra, e cada qual mais segura em sua devoção por me perder...
Rodeavam-me cada pensamento, por mais que desconexo fosse...
Ocuparam todo e cada espaço do meu quarto... não me sobrara nem a cama... que, em função da exaustão física, tomei de volta – somente por não ter meios de fazer o corpo a se mexer...
Já deitada na cama, percebi o frio daquela presença...
Liguei o computador... Assistir um filme aquela hora me manteria atenta à outras coisas...
Cinco minutos de filme... Exatos cinco minutos...
Foi quando senti um calor me invadir pelo peito...
E outras vozes começaram a erguer-se sobre as anteriores...
Mais claras... mais altas... e ainda assim mais tranqüilas...
Cessaram-se as vozes... não o calor...
A cama parecia se mover de maneira a embalar meu sono iminente...
A quietude tomou conta do interior... plena... pacificadora...
Sei dizer que a companhia branca da madrugada velou meu sono...
E me recarregou as forças pra despertar essa manhã...
Obrigada pelo envio da ajuda V.S.A.!!!
Eles foram determinantes para a não escolha do que viria certamente...