segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por Vinícius de Moraes.

E Vinícius de Moraes que se encarregue de dizer-te, tudo o que eu jamais saberia...
Da minha dedicação em manter-te em mim, comigo...
E, por quê não, do zelo, do cuidado - ou ciúme!?!?! Fica a critério do leitor nomear...
A mim, me cabe apenas contextualizar o sentimento, o amor, a saudade e o desejo - por mais descarado que isso possa soar... Pois sem ele, arrisco dizer, possivelmente não teríamos nos permitido tal "aventura"...
Por aventura, quero esclarecer, trato da já mencionada sensação de uma fanfarra inteira ensaiando para acertar as batidas dos nossos corações arrítmicos só pelo encontrar dos olhares...


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
(Soneto de Fidelidade)

"O sol, desrespeitoso do equinócio
Cobre o corpo da Amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pêlos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.
E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelos
De modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.
E pego, encaro o Sol com ar de briga
Ao mesmo tempo que, num desafogo
Proibo-a formalmente que prossiga
Com aquele dúbio e perigoso jogo...
E para protegê-la, cubro a Amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo."
(O Fogo - Obra: Os Quatro Elementos)

"Com mão contente a Amada abre a janela
Sequiosa de vento no seu rosto
E o vento, folgazão, entra disposto
A comprazer-se com a vontade dela.
Mas ao tocá-la e constatar que bela
E que macia, e o corpo que bem-posto
O vento, de repente, toma gosto
E por ali põe-se a brincar com ela.
Eu a princípio, não percebo nada...
Mas ao notar depois que a Amada tem
Um ar confuso e uma expressão corada
A cada vez que o velho vento vem
Eu o expulso dali, e levo a Amada:
- Também brinco de vento muito bem!"
(O Ar - Obra: Os Quatro Elementos)