À companhia das estrelas e da lua, permito que a realidade me escape por entre os dedos, como as lágrimas me escapam aos olhos cerrados, motivados pelo ceticismo presente nas minhas orações...
A prece vem, pra um deus pagão qualquer, que embala a solidão da comunhão boemia...
As luvas, de pelica, já à disposição das mãos - aos espasmos- por tomá-las como à uma arma mortal e cruel...
O TROCO, por maior e mais instintivo que possa ser, aparece como mero figurante na tragédia shakespeariana em que o transformei na minha imaginação fértil, cultivada pela sua inconstância...
O FIM???
Morremos nós, nus de apego e verdade...
Vestidos somente de sangue e lágrimas... À luz das velas, outrora acesas pelo romantismo, oculto em uma aventura de pais brigões e hipócritas...
Morremos sim...
Um pro outro...
Como o outro, pro um, sempre fora a sombra de seu desejo personificado na parede, pela vela que acendera para sair da irrealidade da solidão que sente durante o dia...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
MI desafinastes em SI, sem SOL
Te afino em MI, à luz de um SOL MAIOR sonoro...
LÁ começo a te cantar na melodia que MI FÁ repetir-te no refrão muitas e muitas vezes...
DÓ de MI cantei em MI MENOR, quase DIMINUTO, na relação em que te mostrastes um SI MAIOR, aumentando o ego a cada tom até RÉ...
E voltastes, como se nunca tivesse te tablado em minha clave...
MI desafinastes em SI, sem SOL
nem MAIOR, nem MENOR...
Apenas em MI desafinado...
LÁ começo a te cantar na melodia que MI FÁ repetir-te no refrão muitas e muitas vezes...
DÓ de MI cantei em MI MENOR, quase DIMINUTO, na relação em que te mostrastes um SI MAIOR, aumentando o ego a cada tom até RÉ...
E voltastes, como se nunca tivesse te tablado em minha clave...
MI desafinastes em SI, sem SOL
nem MAIOR, nem MENOR...
Apenas em MI desafinado...
ENSAIO SOBRE O VÍCIO I
Ao te acender, num beijo íntimo, te aspiro e a fumaça me estupra as entranhas e libera o prazer mais carnal que poderia fazer fibrilar meu coração...
Cada toque quente em meus lábios, úmidos pela saliva do desejo, faz o corpo todo responder à contração do único órgão que realmente trabalha - e sofre as consequências de deixar entrar, por necessidade, esse mal tão prazeroso...
Gradativamente, à medida em que diminui, aumenta a sensação de dormência...
Cada vez mais quente, mais próximo, transborda o orgasmo num espasmo contrário ao querer...
Pela boca cheia, e pelo nariz congestionado, te expulso nas palavras, cantando uma música qualquer sobre o destino...
E te apago no cinzeiro do criado mudo... só porque gosto do teu cheiro quando já estou saciada...
ENSAIO SOBRE O VÍCIO II
Ao tocar-te, gelo as mãos, no ímpeto de tornar-te minha...
O pronome, possessivo, alimenta meu ego - egoísta- enquanto te abro, e olho suar por fora, e gelo por dentro ao te consagrar minha em meus lábios...
Para matar a sede, o calor, para esquentar o frio... Qualquer desculpa parece um motivo real para sentir teu gosto...
Te consumo aos goles, calmos em sua maioria, mas sempre buscando saciar essa vontade incontrolável de você...
Te prefiro assim, realçando a sensação do deguste a cada grau centígrado que perdes na troca com as minhas mãos...
O pronome, possessivo, alimenta meu ego - egoísta- enquanto te abro, e olho suar por fora, e gelo por dentro ao te consagrar minha em meus lábios...
Para matar a sede, o calor, para esquentar o frio... Qualquer desculpa parece um motivo real para sentir teu gosto...
Te consumo aos goles, calmos em sua maioria, mas sempre buscando saciar essa vontade incontrolável de você...
Te prefiro assim, realçando a sensação do deguste a cada grau centígrado que perdes na troca com as minhas mãos...
You'd better be safe than sorrow - É melhor prevenir, do que remediar!
A segurança, pela segurança, parece um prato cheio e suculento mesmo diante dos meus olhos, que suplicam apenas pelas gotas do orvalho da manhã - a que espero ansiosa e descrente...
A instabilidade, a que estou acostumada, me ensinou que mesmo as lágrimas alimentam mais, e por mais tempo, que uma boca cheia...
Segurança... é a única ameaça real ao sonho, já abalado pela luz que sempre vem com o sol...
Por que mais horas claras?
Por que a noite, tão esperada, parece infinitamente menor diante dessa alucinação dantesca causada pelo clarão?!
A instabilidade, a que estou acostumada, me ensinou que mesmo as lágrimas alimentam mais, e por mais tempo, que uma boca cheia...
Segurança... é a única ameaça real ao sonho, já abalado pela luz que sempre vem com o sol...
Por que mais horas claras?
Por que a noite, tão esperada, parece infinitamente menor diante dessa alucinação dantesca causada pelo clarão?!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
DEJA VU - ENSAIO SOBRE A PERVERSÃO - EXTERNANDO MEU DESEJO
É como se já nos conhecessemos...
Você esteve no meu sonho na noite passada...
Eu olhei seu rosto e nada é capaz de mudar o que senti, o que ESTOU sentindo...
Sua voz soa como a melhor música que já ouvi...
Seus olhos são armadilhas em que me prendi...
Você diz "Oi", eu fico hipnotizada por seus lábios...
E fico imaginando como seria te beijar...
Eu não sei você, mas eu acredito em DEJA VU...
Prévias que o Destino nos dá sobre as cenas que estamos prestes a "filmar"...
Talvez o sonho seja mera formalidade da imaginação...
Manifestando o desejo, por indescritível que é, embora sensível ao corpo...
E o corpo, mais sensível, teima em tremer e sangrar, por cada poro, o suor do meu desejo imaginado, proibído, descarado...
Toda gota, como a chuva, vem em direção aos meus pés...
E o teu esforço telepático, esvai minhas forças até a carne sucumbir ao labirinto...
Me faz achar aos tacos frios do assoalho, meu descanso e meu abrigo...
Você esteve no meu sonho na noite passada...
Eu olhei seu rosto e nada é capaz de mudar o que senti, o que ESTOU sentindo...
Sua voz soa como a melhor música que já ouvi...
Seus olhos são armadilhas em que me prendi...
Você diz "Oi", eu fico hipnotizada por seus lábios...
E fico imaginando como seria te beijar...
Eu não sei você, mas eu acredito em DEJA VU...
Prévias que o Destino nos dá sobre as cenas que estamos prestes a "filmar"...
Talvez o sonho seja mera formalidade da imaginação...
Manifestando o desejo, por indescritível que é, embora sensível ao corpo...
E o corpo, mais sensível, teima em tremer e sangrar, por cada poro, o suor do meu desejo imaginado, proibído, descarado...
Toda gota, como a chuva, vem em direção aos meus pés...
E o teu esforço telepático, esvai minhas forças até a carne sucumbir ao labirinto...
Me faz achar aos tacos frios do assoalho, meu descanso e meu abrigo...
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