quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ENSAIO SOBRE O VÍCIO I

Ao te acender, num beijo íntimo, te aspiro e a fumaça me estupra as entranhas e libera o prazer mais carnal que poderia fazer fibrilar meu coração...
Cada toque quente em meus lábios, úmidos pela saliva do desejo, faz o corpo todo responder à contração do único órgão que realmente trabalha - e sofre as consequências de deixar entrar, por necessidade, esse mal tão prazeroso...
Gradativamente, à medida em que diminui, aumenta a sensação de dormência...
Cada vez mais quente, mais próximo, transborda o orgasmo num espasmo contrário ao querer...
Pela boca cheia, e pelo nariz congestionado, te expulso nas palavras, cantando uma música qualquer sobre o destino...
E te apago no cinzeiro do criado mudo... só porque gosto do teu cheiro quando já estou saciada...